segunda-feira, 25 de novembro de 2013
30 anos da morte de Marçal Tupã-Y
Fonte: Assessoria Paulo Porto
O mandato do vereador Paulo Porto (PCdoB) realizará, a partir das 19h, na Câmara Municipal de Cascavel, uma plenária em memória de Marçal de Souza Tupã-Y, líder Guarani brutalmente assassinado há 30 anos no Mato Grosso do Sul. Porto destaca a importância de memorizar a data, especialmente quando se acirra o discurso de intolerância e a violência contra os indígenas no Oeste do Paraná. Uma amostra desse cenário preocupante como comprovado neste fim de semana com o atentado em Guaíra que resultou na morte do guarani Bernardino D’avila e deixou uma criança de 11 anos hospitalizada. “Esse ato político além de prestar uma homenagem a Marçal também será uma oportunidade de nos posicionarmos frente ao que está acontecendo em nossa região. Precisamos rememorar os que morreram lutando, por aqueles que estão vivos e aqueles que virão”, destacou o vereador. Em 1980, Marçal Tupã ficou conhecido por denunciar a história de massacre de seu povo e as violências contra os povos indígenas no Brasil ao papa João Paulo II. “Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto, não, santo padre. O Brasil foi invadido e tomado dos indígenas. Esta é a verdadeira história de nosso povo”. Com essa frase, ele emocionou o pontífice durante sua primeira visita ao país. Três anos depois ele seria executado, em Campestre, na terra indígena Nhanderu Marangatu, município de Antonio João, onde morava e trabalhava como enfermeiro da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). “Marçal foi um dos maiores líderes do povo guarani e porta-voz de toda a população indígena brasileira. Até hoje é lembrado pelos indígenas do Mato Grosso do Sul como um guerreiro que não foi derrotado”, ressalta Paulo Porto. O ato será realizado no plenário do Legislativo a partir das 19h e contará com a presença de educadores, estudantes e representantes de movimentos sociais.
Histórico
Marçal nasceu no dia 24 de dezembro de 1920. Ficou órfão aos oito anos. Foi educado numa missão presbiteriana e criado pela família de um oficial do Exército no Recife. Adulto, voltou para a região de Ponta Porã, no Estado natal. Atuou também como intérprete guarani-português, tendo a oportunidade de conviver com antropólogos e cientistas sociais, como Darcy Ribeiro e Egon Shaden, o que lhe proporcionou acesso ao conhecimento científico e cultural. Depois de anos de luta e discursos tocantes, inteligentes e esclarecedores, morreu como viveu: defendendo o respeito a seu povo. Foi assassinado com cinco tiros, na noite de 25 de novembro de 1983, em sua aldeia. Menos de um mês antes, havia recusado oferta de 5 milhões de cruzeiros, feita por um fazendeiro, para que convencesse uma tribo do grupo Kayowá a sair de suas terras. Marçal tinha 63 anos e a seu lado dormia a mulher, a índia Celina Vilhava, 27 anos, grávida de nove meses.
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